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7 de abril de 2016

DE NOVO, A ESPERANÇA FEZ BRILHAR!

Entre os relatos da ressurreição de Jesus, fico encantado com a história dos discípulos de Emaús. Aliás, facilmente consigo me colocar no caminho de Emaús.

 

Dois discípulos caminhavam conversando sobre os recentes episódios daquele homem que algum tempo os encontrou, fixou neles o olhar e os chamou para segui-lo. Penso também que aquele assunto não estava só naquela estrada; Ele estava nas casas, esquinas, ruas... no coração de tantos e tantos que, em algum momento decidiram pelo seguimento a Cristo. Homens, mulheres, crianças, jovens, pessoas de todos os jeitos que encontravam em Jesus a sua maior esperança.

 

 

A facilidade em me inserir na conversa dos discípulos de Emaús... (não como Jesus, mas como um deles) está em: Quem nunca apostou todas as suas fichas em algo nessa vida? Eu, sim! E sei como é bom, o quanto a vida se enche de sentido, como as coisas parecem se encaixar perfeitamente. Mas, também, tem um lado terrível e bonito (se possível) nisso tudo: E quem também nunca se frustrou e errou apostando todas as suas fichas? Eu também, já!

 

Aquelas pessoas tristes no caminho, rosto de todos os outros seguidores de Jesus, estavam lamentando (permito-me pensar assim) sobre suas próprias vidas e o que fariam delas a partir de então. Eles eram os mesmos que, em menos de três anos, deixaram barcos na praia, profissões e cargos sociais, recobraram suas vidas na sociedade, por causa daquele homem, colocaram tudo na periferia da vida para ter somente um foco, um ponto fixo e nada mais restar: “A quem iríamos Senhor?”

 

 

 

 

E, há pouco tempo, essa forte ESPERANÇA havia dado o último brado e suspiro em uma cruz, pregado, todo ferido, sem reação alguma. Acabou! A esperança morreu!

Da mesma forma acontece com todo mundo, todos os dias. Comigo é assim. Aquele projeto que tanto quis, que mergulhei de cabeça, fracassou, morreu, quebrei a cara. 

 

 

 

 

É assim com todos: Pessoas que se encontram em um relacionamento amoroso, profissional, social, ou em planos de sua vida, metas e objetivos em diversos níveis, de repente tudo acaba e junto com tudo, a esperança vai embora.

 

Eu, todos que já passaram por isso e os discípulos de Emaús, sabemos como é doloroso ver partir de forma tão brusca a ESPERANÇA. Penso, aqui, na experiência da morte: Que sofrimento é esta partida àqueles que ficam. Aliás, dizia o pensador, falando sobre a morte, diz que, quando choramos a perda de alguém, não estamos chorando só pelo falecido, propriamente dito, e, sim, pelo o que seremos nessa vida sem a presença daquele que parte. É do mesmo jeito com todas as outras coisas da vida.

 

Aquela conversa, talvez, dizia das possibilidades do difícil recomeço para os seguidores de Jesus: “E agora... Voltar a pescar... retomar os costumes antigos... cobrar impostos novamente... ir para a margem da sociedade...” E atualizando: “começar tudo de novo... procurar novo emprego... recomeçar o projeto... relacionar-me com outras pessoas... perdoar... começar do zero...”

 

É nesse instante que se encontra a beleza da história. O mestre de Nazaré pôs-se com eles no caminho e novamente seus corações voltam a arder. A princípio era somente o forasteiro que trazia encanto nas palavras e sabedoria. Para aquele momento ele tornou-se um grande consolo e uma boa companhia. Sempre haverá espaço para uma novidade em nossa vida. No desespero do “zero” que estavam os discípulos, aquela noite poderia ser menos doída, as palavras daquele homem poderiam confortar mais um pouco, ou, ao menos, pensariam um pouco menos no acontecido.

 

Mas a história não acaba aí. Ao partir o pão, os discípulos de Emaús reconhecem que o desconhecido homem, era o próprio Jesus, o mesmo que, há poucos dias presenciariam a dramática morte. A ESPERANÇA voltou. Agora era fato. Os boatos das mulheres eram verdadeiros. Que grande alegria, pois, os sonhos, projetos, renuncias não foram em vão. Apostaram todas as suas fichas e o fizeram bem. Jesus ressuscitou!

 

Os nossos sonhos frustrados são assim quando apenas enxergamos somente o presente imediato e não ampliamos a visão para abstrair algo mais além. As pessoas até tentam nos avisar “vai dar tudo certo... você vai conseguir... outra pessoa aparecerá em sua vida... você vai conseguir um emprego melhor...” Mas a dor e a incerteza é tão grande que nada disso nos ajuda. Um dia li em uma “orelha” de um livro algo parecido com “todo sofrimento é bom, pena que na hora não somos avisados”.

 

Assim, o interessante é que o recomeço da história dos discípulos de Emaús é a própria continuidade da mesma. A grande aposta feita em Jesus, continuaria sendo Jesus.

 

Isso não garante nada que minhas apostas que fiz e faço se parecem por um momento frustradas quando eu enxergar um recomeço (=continuidade) serão do mesmo jeito como sempre foi. Não! Não serão e nem devem ser assim. Até onde caminhei foi somente uma parte da história; Até o início do caminho de Emaús foi somente uma parte da história. Há muito ainda a descobrir e caminhar...

 

A história não acaba no calvário e se prolonga até os boatos da ressurreição. Ela não acaba com uma ou duas quedas, mesmo que sejam graves. Nem a morte é tão forte.

Em Emaús, o ápice é a ressurreição. Mais uma vez: A ESPERANÇA voltou. Em minha vida também.

 

Agora pouco fui questionado sobre o que era ter uma vida com sentido. Que pergunta difícil. Mas respondi que uma vida com sentido é aquela que sempre se cultiva a esperança...

 

 

Pe. Flávio Porto

 

Foto: Patrícia Villela

Pe. Flávio Porto

Escritor, poeta, pensador e algumas vezes artista mas sempre um servo de Deus.

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